terça-feira, 3 de outubro de 2017

Médico do Samu da baixada mogiana é afastado após ofender morador que pede ajuda

Na gravação que vazou pelas redes sociais, o popular se irrita com as perguntas feitas pelo médico e o interrompe grosseiramente pedindo logo uma ambulância. Momento em que o médico passa a ofendê-lo. O médico Ricardo Franco, da Regulação da Base do Samu da Baixa Mogiana, está afastado de suas funções desde a tarde de ontem (2). Ele protagonizou um bate-boca, com palavras de baixo calão, com um popular que tinha ligado para pedir uma ambulância a uma vítima de acidente de trânsito.  O acidente ocorreu na região Central de Mogi Mirim.

Ele permanece afastado por 30 dias até que seja concluído o Processo Administrativo Disciplinar, podendo o prazo ser prorrogado. A conduta do médico será analisada por uma banca do Consórcio Intermunicipal de Saúde ‘8 de Abril’, órgão mantenedor do Samu. Somente após essa investigação interna a banca decide se haverá punição ou não, que pode ir desde uma advertência até uma demissão por justa causa.

Na gravação que vazou pelas redes sociais, o popular se irrita com as perguntas feitas pelo médico e o interrompe grosseiramente pedindo logo uma ambulância. Momento em que o médico passa a ofendê-lo.

O áudio também foi apresentado durante a sessão legislativa, na Câmara de Vereadores de Mogi Mirim, na noite de ontem (2). Vereadores procuraram por esclarecimentos na manhã dessa terça-feira (3) na Regulação da Base do Samu, sediada em Mogi Guaçu.

O coordenador do Samu, Wagner Tadeu Cezaroni, entende que a população não tem o preparo para fazer uma solicitação de socorro, mas que o médico tem e deveria ter agido de outra maneira. “Era só falar que a ambulância estava indo. Ficamos perplexos porque somos qualificados e o que ocorreu não foi condizente com os treinamentos. Pedimos perdão à população porque essa não é nossa forma de trabalhar”.

O Samu da Baixa Mogiana é composto por cerca de 100 profissionais entre condutores socorristas, enfermeiros e médicos. A segunda-feira, como comentou Cezaroni, é um dia atípico, geralmente com mais chamados. Mas ao analisar os eventos do dia, disse que não ocorreu nada de incomum na rotina do médico que pudesse explicar a alteração.

“Ele assumiu que errou e que perdeu a paciência, e que vai responder pelo que tiver que responder”, contou Cezaroni após ter dito que conversou com o médico. Sobre o perfil do médico, Cezaroni apenas disse que tem dez anos de carreira e há cinco está no Samu, tanto na Regulação (atendimento do Disque 192), quanto nas ambulâncias de suporte avançado (com UTI).

Cezaroni deixou claro que após a discussão, não houve omissão de socorro e que o médico enviou a ambulância com UTI que chegou em três minutos ao local e que o estado da vítima era considerado leve. No momento da ocorrência, somente a ambulância com UTI estava disponível, a ambulância básica está em manutenção.

Por que tantas perguntas?

Cezaroni explica que o médico do Disque 192 atende os chamados de quatro municípios (Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Estiva e Itapira) e que precisa fazer as perguntas para determinar o atendimento a ser dado. As perguntas são de um protocolo padrão nacional, afirma Cezaroni, e não tem como não ser feito.

Quem primeiro atende é um telefonista. Ele precisa saber endereço, ponto de referência e se o solicitante sabe o que aconteceu com a vítima – acidente, mal súbito, ou problemas de saúde. Em seguida passa a ligação para o médico que fica na Base do Disque 192. “Ele nessa hora passa a fazer um telemedicina, como o atendimento no consultório médico. Ele precisa saber se a pessoa está acordada, consciente, se tem algum problema de saúde, se toma remédio, se há sangramento visível. Para daí levantar um diagnóstico e avaliar o recurso a ser enviado”.

O recurso pode ser, como exemplificou Cezaroni, a indicação de um medicamento, ou pelo rádio-operador o envio da ambulância. Caso as ambulâncias do Samu estejam empenhadas, esse médico vai acionar ajuda do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil ou das ambulâncias sanitárias, da Prefeitura, que ficam nos prontos-socorros.

“Pedimos para as pessoas terem calma, para tentar passar os detalhes para o médico para que ele possa enviar ajuda de maneira correta”, também pede o coordenador à população.

Para o próximo mês, a coordenação programou um evento em Mogi Mirim para explicar como é o trabalho do órgão. O ‘Samu na Praça’ tem por objetivo aproximar a população da equipe com orientação para prevenção de acidentes e em quais situações o Samu deve ser chamado.

Fonte: A GAZETA GUAÇUANA
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