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Por José Roberto Gomes e Roberto Samora. SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil pode colher em 2018 uma safra recorde de café, em meio ao ciclo de bienalidade positiva do arábica e à recuperação das lavouras do conilon (robusta), de acordo com uma média de avaliações de especialistas apuradas pela Reuters.

Mas ainda há divergências no setor sobre se esse cenário tende mesmo a se confirmar, especialmente da parte de representantes de cafeicultores, que afirmam que as lavouras ainda sentem os efeitos de uma seca vista em 2017.

A produção em 2018 no Brasil, maior produtor e exportador de café, foi estimada em média em 53,9 milhões de sacas de 60 kg, de acordo com sondagem feita junto a representantes de produtores, especialistas, corretores e instituições como o IBGE.

O volume projetado é 20 por cento maior na comparação com os 45 milhões de sacas de 2017, quando o país sofreu os impactos do ciclo de baixa do arábica. E também supera o recorde anterior estimado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), de 51,4 milhões, obtido em 2016.

Alguns participantes da pesquisa salientaram, contudo, ser ainda muito cedo para se projetar algo com precisão para o ciclo, tanto que as estimativas obtidas pela Reuters variam de modo expressivo, de 47 milhões a 60 milhões de sacas. A colheita de café do Brasil geralmente começa em abril, pelas lavouras de robusta.

"A safra deste ano pode superar (o recorde anterior), porque a produção de conilon melhorou muito. Penso que todo mundo está olhando para o café arábica e se esquecendo do conilon", comentou o analista Cesar de Castro Alves, da MB Agro.

Na avaliação preliminar da MB Agro, no entanto, a safra total brasileira ainda é estimada em 51 milhões de sacas, ligeiramente abaixo do recorde anterior apontado pela Conab.

O robusta registrou produção 34 por cento maior em 2017 frente o ano anterior, segundo a Conab, graças à recuperação das lavouras do Espírito Santo, maior produtor nacional da variedade e que foi castigado entre 2015 e 2016 por fortes secas.

Mesmo assim, a produção de 10,7 milhões de sacas de robusta do Brasil em 2017 ficou distante do recorde histórico de 2014 (13 milhões de sacas).

A Conab divulgará sua primeira projeção para a temporada deste ano na quinta-feira --em geral, as estimativas da estatal costumam ser inferiores às esperadas pelo mercado.

PREOCUPAÇÕES PARA O ARÁBICA
Apesar das estimativas, o arábica, que responde por mais de 70 por cento de toda a produção nacional de café, ainda desperta temores.

As preocupações remontam ainda ao período de florada, a partir de agosto, quando a falta de chuvas e temperaturas elevadas levaram o setor produtivo a retirar as apostas de uma "supersafra" em 2018.

De lá para cá, as condições climáticas até melhoraram, mas a continuidade das chuvas é considerada de vital importância para que os cafezais se desenvolvam bem até o início da colheita.

"O fato de a planta estar debilitada não segura o chumbinho, é preciso de ramos e folhas... Como houve uma seca, houve falta de folha", disse o presidente da Associação dos Cafeicultores do Brasil (Sincal), Armando Mattiello, agrônomo e produtor com propriedades em Minas Gerais e São Paulo.

"A situação não se reverte, após a planta perder a folha, demora para ela se recuperar. Está chovendo normal agora, mas não tem tempo de recuperar, criar um novo sistema radicular para provocar o enchimento dos grãos. Aí, para sobrevivência, ela joga o fruto no solo."

Na mesma linha, o presidente do Conselho Nacional do Café (CNC), Silas Brasileiro, destacou que "ainda é cedo para se estimar o volume de café... haja vista, após o pegamento das floradas, a necessidade da confirmação do enchimento dos chumbinhos".

"A safra 2018 tende a ser maior devido ao ciclo de alta do arábica, porém não alcançando níveis recordes em função de reflexos do clima adverso nos últimos anos", alertou.

MAIS DÚVIDAS
Além do clima, outros fatores também preocupam.
"Há incidência de broca, que pode prejudicar a qualidade e o peso do grão. O desfolheamento também está muito feio", comentou o diretor comercial de uma cooperativa do sul de Minas Gerais.

O Brasil enfrentou no ano passado a pior infestação por broca da história recente, após a proibição de uso de um pesticida, gerando danos de até 30 por cento dos grãos de café verde.

O Brasil vem nos últimos anos reduzindo seu peso no comércio internacional da commodity, dados os problemas internos de produção e a maior concorrência no exterior.

Para este ano, a expectativa é de uma melhora nos embarques apenas no segundo semestre.

(Com reportagem adicional de Marcelo Teixeira)

Fonte: Reuters e Notícias Agricolas

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