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Neste Brasil meio baixo astral em que estamos vivendo, a minha dica para elevar a autoestima é conhecer a Vinícola Guaspari, que integra uma bonita fazenda em Espírito Santo do Pinhal, a pouco mais de uma hora de Campinas. Lá vigoram o esmero, a organização, a ciência e o amor que estão colocando o Estado de São Paulo entre os terroirs promissores para vinhos finos do País. 

Quem aprecia vinho já ouviu o zunzum à cerca da Guaspari. A marca vem chamando a atenção em provas rigorosas por aí e surpreendendo até os mais incrédulos enófilos. E aguarde porque a fazenda, onde vicejam também cafezais e oliveiras, é um laboratório a céu aberto, sempre em busca de novidades. Os resultados obtidos até aqui são estimulantes. As linhas Vista da Serra, Vale da Pedra, Vista do Chá e Vista do Bosque foram endossadas por especialistas de A a Z desse universo.

Repare que os nomes dos rótulos remetem a paisagens. São vistas panorâmicas que justificam o honroso codinome com o qual a região vem sendo identificada: a Toscana Brasileira. Os vinhedos estão plantados em altitudes diferentes, entre 800 e 1300 metros acima do nível do mar e cada parcela permite vislumbrar a Serra da Mantiqueira em distintos ângulos. A história desse vinho começou em 2006, com as primeiras videiras plantadas, numa iniciativa corajosa da família Guaspari. A primeira safra, o Guaspari Syrah Vista da Serra, chegou ao mercado quatro anos depois, em 2010. É pouco tempo para se impor num universo tão exigente como o dos vinhos finos, mas as realizações se mostraram consistentes desde o início.

A empresa, que acaba de abrir as portas para o enoturismo, compartilha com os visitantes detalhes do trabalho que vem sendo erguido ali. O engenheiro agrícola e enólogo Cristian Sepúlveda, chileno que já trabalhou na Miolo e no Vale do Rio São Francisco, tem especial desenvoltura para descrever a filosofia da vinícola. Ele recepcionou o grupo da Associação Brasileira de Sommeliers (ABS-Campinas), no penúltimo sábado de maio, e deu uma aula de enologia, a começar pelas características do solo – “arenoso, granítico, com excelente drenagem de água, o que favorece o desenvolvimento das vinhas”. Cristian sempre acha uma brecha nas suas explanações para evocar o mantra máximo da enologia: o bom vinho está na planta, no trabalho em campo. “Se a uva não for boa, não adianta toda a tecnologia e conhecimento científico que não se chega ao grande vinho.” E olha que a Guaspari conta com os equipamentos de vinificação mais modernos do mundo.

Não tem segredo
Na Guaspari essa lei foi amplificada. O segredo dos bons vinhos da casa está no método inovador de cultivo, que inverte o ciclo natural de desenvolvimento da planta para que ela se adapte ao terroir e dê o melhor de si. Isso é alcançado pelo sistema de poda dupla, ou seja, duas vezes por ano. A primeira, chamada de “poda de formação”, é feita em setembro; e a segunda, poda de produção, em janeiro ou fevereiro, quando a videira está apta a produzir os cachos.

A colheita acontece no inverno, entre julho e agosto, favorecida pela amplitude térmica, com dias ensolarados e secos e noites muito frias, condição perfeita para manter a integridade da uva e, importante, fugir dos meses chuvosos do verão brasileiro que pode por a perder uma vindima inteira. A inversão do calendário é acompanhada de um manejo cuidadoso da terra por um time de 30 profissionais capacitados por técnicos vindos de Portugal, dos Estados Unidos, do Chile e da Austrália.

As conquistas
O Syrah Vista do Chá 2012 foi o primeiro vinho brasileiro a conquistar a medalha de ouro na 13ª Decanter World Wine Awards 2016, em Londres, o mais prestigiado concurso internacional de vinhos. No mesmo evento, o Syrah Vista da Serra 2012 levou a medalha de bronze. Não há comprovação melhor do êxito da marca. A premiação contou com mais de 16 mil rótulos de todo o mundo, avaliados por 244 especialistas.

O Syrah Vista do Chá 2012, que alcançou 95 pontos na competição, é um vinho de coloração rubi, aromas de frutos do bosque, especialmente framboesa, mirtilo e cereja. Na boca, apresenta taninos maduros e elegantes, perfeitamente integrados com o álcool e a acidez. As uvas são do vinhedo Vista do Chá, a 1.140 metros. Quanto ao Syrah Vista da Serra 2012, este é produzido com uvas do vinhedo Vista da Serra, a 1.220 metros de altitude. É intenso nos aromas, com predominância de frutas vermelhas e delicados toques de especiarias.

Por essas citações, dá para deduzir que a Syrah é a uva que se destaca na Guaspari. Mas os rótulos de Sauvignon Blanc e Vignoir também são encantadores. Além desses,  já estão a caminho os varietais de Cabernet Sauvignon e Chardonnay, além do bordalês (85% Cabernet Sauvignon e 15% Merlot). Outras apostas da casa são o Pinot Noir de edição limitada (cerca de 3 mil garrafas) e o superpremium Cabernet Franc.

Em tempo: 
Havia acabado de colocar esse post no ar quando recebi essa ótima notícia da Guaspari. Com muito orgulho, reproduzo aqui:
Com enorme emoção gostaríamos de compartilhar com vocês que o nosso Guaspari Syrah – Vista do Chá recebeu novamente a medalha de ouro no Decanter World Wine Awards 2017, com 95 pontos para a safra 2014, único brasileiro premiado com o ouro, conquistando o seu bicampeonato no maior e mais renomado concurso internacional de vinhos. 

Além da medalha de ouro temos orgulho ao anunciar que os rótulos Guaspari Syrah Vista da Serra 2014, Guaspari Viognier Vista do Bosque 2015 e Vale da Pedra tinto 2015 receberam a medalha de prata, com pontuações entre 90 e 93 pontos, representando 3 das 5 medalhas de prata do Brasil no concurso. 

O DWWA aconteceu em Londres, em 26 de abril de 2017, e contou com mais de 17 mil rótulos de todo o mundo, que foram avaliados por 219 especialistas.

O papel da Epamig
É preciso dar crédito também ao engenheiro agrônomo Murillo de Albuquerque Regina, PhD em viticultura pela Universidade de Bordeaux e pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), que desenvolveu a técnica de dupla poda e colheita no inverno. Aliás, os amantes de vinho têm muito a agradecer à Epamig. Ao lado da Embrapa, a empresa tem levado conhecimento técnico e inovações a locais até então virgens para o vinho fino, como Minas Gerais e Goiás. Igualmente perto de Campinas, a Casa Geraldo (Villa Campino), em Andradas, Sul de Minas, é mais um cartão de visita da atividade bem sucedida dessas empresas. 

Visitas agendadas
A Vinícola Guaspari iniciou recentemente seu programa de enoturismo com visitas agendadas. O passeio inclui caminhada pelos vinhedos, olivais e cafezais, incursão pelas instalações da vinícola, onde as uvas passam por modernos equipamentos de vinificação e engarrafamento; sala de barricas, sala de garrafas e adega. E, claro, degustação de alguns rótulos. A vinícola conta ainda com loja para compra de vinhos (de R$ 88 a R$ 194). Tudo é acompanhado por um profissional da casa. A fazenda não tem restaurante, portanto, é uma boa pedida esticar o passeio pela cidade e almoçar em algum restaurante local. Na visita da ABS-Campinas, fomos bem recebidos na Opção Trattoria (19) 3661-4646. Chuvas contínuas impedem a subida até os vinhedos altos, onde a vista é mais exuberante. Mesmo assim vale a pena a visita, pois a fazenda é inteira bonita. O agendamento para o tour pela Guaspari pode ser feito pelo e-mail enoturismo@vinicolaguaspari.com.br ou pelo telefone (19) 3661-9191. Por Suzamara Santos / campinas.com.br.
Guaspari - Espírito Santo do Pinhal-SP

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