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Foto divulgação Gazeta Guaçuana
O tiro acidental teria acontecido nesta segunda-feira(16), enquanto o PM retirava a sua farda. O policial segue internado na UTI.

O policial militar A.A.S da 1ª Companhia de Mogi Guaçu(SP) foi vítima de um disparo acidental, na noite desta segunda-feira (16). Segundo informações do Jornal Gazeta Guaçuana é de que o policial foi atingido acidentalmente por uma bala que saiu de sua própria arma.


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O tiro acidental teria acontecido enquanto ele retirava a sua farda. O PM foi atingido na região do abdômen e está internado na UTI da Santa Casa de Mogi Guaçu(SP).

Falhas em armas causam acidentes e geram muitas reclamações
Vítimas da Taurus
Em alguns casos, a arma dispara sozinha. Em outros, ela falha. 
A fabricante Taurus informou no passado que todas as armas passam por revisão rigorosa.

A principal fábrica de armas usadas pela Polícia no Brasil virou alvo de reclamações. As armas às vezes disparam com apenas alguns movimentos. E às vezes, elas falham exatamente na hora do tiro.

Em 2013, o policial Alexandre Castro, de Goiânia-GO, deixou cair no chão uma pistola da Taurus, que disparou e o atingiu. Ele perdeu o movimento da perna direita, que já foi operada cinco vezes. "Quando a minha arma caiu, não era para disparar, né? Ela não era pra disparar de forma alguma e ela disparou".

Alexandre criou um site chamado Vítimas da Taurus e começou a reunir histórias parecidas com a dele. A página mostra flagrantes de falhas nas armas da fabricante. Num dos vídeos publicados, um homem tenta atirar várias vezes e a arma falha. Em outro vídeo, o homem apenas sacode a arma e ela dispara.

Em 2016 a Polícia Civil do RJ fez um teste pra avaliar a eficiência das pistolas. Foram separados lotes de dois dos modelos mais usados por policiais civis e militares no estado. A perícia aconteceu nos dias 31 de março e 1º de abril e agora saiu o resultado: das 55 pistolas testadas - todas compradas há no máximo dois anos pela Polícia Civil - 36 apresentaram problemas.

Primeiro foram testadas 35 pistolas da Taurus, modelo PT 940. Logo no quinto tiro da primeira arma testada, a pistola parou com o ferrolho aberto e o atirador não pôde continuar. Na segunda arma testada, após o primeiro tiro, houve uma falha de extração da cápsula. Em resumo: dessas 35 pistolas, 20 apresentaram pelo menos uma falha.

A segunda perícia foi feita em pistolas Taurus do modelo PT 840: das 20 pistolas testadas, 16 apresentaram problemas.

E por que a Polícia não providencia armas de outras empresas?
A resposta é simples: no Brasil existe uma lei que determina que a Polícia só compre armas fabricadas no país, a menos que haja um modelo no exterior que não tenha similar por aqui. O país tem somente duas fabricantes de armas e é justamente a Taurus que produz os modelos mais voltados para o trabalho da Polícia nas ruas.

O problema é que as armas dos criminosos não se restringem às fabricadas aqui no país e aí eles podem levar vantagem num confronto, como analisa o especialista em Segurança Pública, Paulo Storani: "o criminoso vai conseguir uma arma com muito melhor qualidade e com muito mais facilidade. Na verdade, uma facilidade que as polícias poderiam encontrar é comprando equipamento internacional. Isso obrigaria as fábricas nacionais a aumentarem seu padrão, melhorarem sua linha de produção".

Para o Coronel Ubiratan Ângelo, ex-comandante geral da PM, o policial precisa poder confiar na arma que utiliza: "tem que ser uma arma extremamente eficaz, para que ele confie na arma e atire menos. Consequentemente, se a arma traz problemas, ele fica mais exposto à vitimização e mais proposto à letalidade".

Reportagem exibida no Fantástico em 2017

Fonte e foto Gazeta Guaçuana e Hora 1. Reprodução edição Portal de Pinhal